Caderno III
Uma tarde de alta temperatura, linda pelo céu azul (lindo azul) contrastado com o branco das nuvens. Típica tarde de mês que abre o verão. A solidão mais uma vez companheira de V lhe fez companhia. Como de costume, saiu cedo de casa. Pegou o ônibus, sentou-se em uma cadeira que não lhe permitia um par. Abriu a bolsa, enfiou a mão à procura do fone de ouvido. Mais uma paralelidade ao mundo. Enfim, a música. ( Para ouví-la também...)
Chegou na faculdade, como de costume, entrou logo no 2º bloco, subiu as escadas e se deslumbrou com a vista tão aguardada. Tanto a do rio-mar entrecortado como a de Ela, que sentada dois andares abaixo, conversava com duas amigas. Acendeu seu cigarro, encostou-se e degustou os movimentos contidos (da conversa alheia e da fumaça que lhe invadia). Ela, parecia tão despreocupada com o mundo, tão ávida de si mesma, tão inconsequente. Calça solta e cheia de bolsos, blusa de alça coberta pela jaqueta leve e masculina, toda em negro. De cigarro aceso, cabelo timidamente solto e um fio de ouro enfeitando delicadamente o pescoço. Enfim, pela inocente insistência dos olhares, V sem perceber chamou a atenção de Ela. Olhares somados e V desvia rapidamente. Com o cigarro por queimar, V retorna ao rio. O sangue lhe chega ao rosto e acelera seu coração.
O olhar em resposta daquela que a tirava dos pensamentos soltos foi o suficiente. Surpreendentemente marcante. Não entendia o porquê. Só percebeu-se assim. E foi assim o resto da tarde e seria a noite inteira. Convergia àquela loira todo o olfato, visão e tato. Apagou seu cigarro. Desceu devagar. Foi passar água no rosto e lavar as mãos.
Um vulto. V, de frente para o espelho pode contemplar sua mais nova atenção passando atrás dela. Como num salto, a surpresa. Olhos fixos nos movimentos. Suspiro. Cheiro. Não entendia o porquê, mas fechou os olhos. Refez os passos, escutava seus barulhos. Em transe desmedido flutuava . Toca o celular. Eco. No visor, “A, amor...”.
V: “...”(espera a fala)
A: “Alô?! Oi.... amor...?”
V: “O...oi amor...” (Saindo do transe)
A: “Como vai ser hoje?”
V: “Hoje?”
A: “Sim, hoje! Tais me escutando bem?”
V: “Oi, tô sim...”
A: “Tais ocupada? Tais bem mesmo?”
V: “Tô, tô sim...pode...”
A: “Ham...o que tais fazendo hein? Tais estranha...”
V: “Nada, já vais começar?” (Já meio irritada.)
A: “Tais estranha, isso bem que seria um motivo. Sim, como vai ser hoje?”
V: “Tô entrando pra sala já, não posso perder as aulas de hoje. Não vai ser.”
A: “Um problema então, já estou aqui.”
V: “Quê?”
A: “É, desce quinze minutos só...Tô com saudades...”
V: “...” (Mas ela está aqui...)
A: “Sim...Só vou dar uma passada no banheiro e já vou lá pro teu bloco...”
V: “Qual deles?”
A: “O primeiro daqui de bai...”
Era o mesmo banheiro em que V estava. Logo, o encontro. Endossado por Ela que havia saído do banheiro e rapidamente já se encostava à pia para lavar as mãos. V já havia percebido A, mas seu olhar estava na mulher apressada. Dela emanava um cheiro bom, daqueles que grudam na memória.
A: “Oi amor...tais aqui, que bom! Vim, mas também tô apressada...”
A lhe dá um beijo simples na boca. Não se preocupa com a presença de uma outra moça. Não percebe que sutilmente estava sendo deixada de lado. V logo retoma a atenção, afinal, sua namorada estava na sua frente. Misto de agonia e desprazer. Saem dali. A, com assuntos infinitos e falas sem pausas. V, só ouvia, respondia monossilabas e tentava entender o que havia sido gravado em suas retinas: o olhar de exame da moça que passava ao seu lado na saída do banheiro, de face, por conta da cena recente, desanimada. Como de quem havia se decepcionado. No entanto, A interrompeu esses momentos com um abraço e o constante falatório.
Assuntos de namoradas então tomaram esse espaço. Saudades, perguntas, beijos e logo o furacão diminuía seu ritmo. V envolvida demais em dar respostas se desligou da pergunta que havia se formado na sua cabeça. Conduzia A até a saída , onde ficariam até terminarem a visita, conversava e tentava prestar atenção a tudo. Mesmo assim, sentia-se um certo desligamento de sua parte. Enfim, a visita acaba. Um beijo de canto de boca derradeiro, pela discrição sustentada e logo V voltava-se ao ambiente do campus. Agora no mesmo plano em que Ela estava quando a percebeu.
Veio à tona a interrogação: “Ela veio falar comigo?”
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L.
Eu não sou engraçada.
Também não sou sincera.
Crítica? Só quando quero.
Fansha, Sapa, Lés, sempre que posso.
Agradável...ô...até tento...
Eu sou nada...
Apenas estou sendo....
E tu?

6 comentários:
Tive que voltar algos post... mas tudo bem... faleu a pena... hehehehehe
Oieee que bom que nossa flor falou de nós...Certamente falou mal né ALZIRA KKKKKKKKKK
Brincadeira, a Flor, Cá e Pri são pessoas lindas que conheci na net e que me fazem bem... E espero que você possa endossar esse hall de amigos....
Seja bem vinda...Vou linkar você tbm....
Beijinhos
Que delícia de se ler...
Adoro contos e esse me deixou bem curiosa! Delicioso de se ler!!!
Nossaaa....
Que bela propaganda da Batom né? kkkk
Ela que é uma fofa...a Boné tbm, a Flor, a Cá... São mulheres lindas e fortes...
Bjos Linda e se cuida....
Laila...
Pois então...Nem te digo que vou colocar links nas proximas pq vou iniciar um outro nucleo da historia, mas me preocuparei nese sentido da próxima viu?!
beijos!
Batom e boné...hsauhsauh
adorei vocês meninas...hsauhsaush
Já estao linkadas tb...
beijos!
Pri
ah...tu já és do Mundo...
que bom que gostastes do conto..
vem por aí melhores momentos...espere...!
Bejos outros e te cuida tb...
=)
Lindaaaas!
que delícia ler 'tais'.
fiquei com peninha da namorada :(
beijos
Veio????
Foi????
Conta mais!!!!
Beijos e borboleteios
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